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sexta-feira, março 13, 2009

Da Beleza...

A beleza não é uma qualidade absoluta [independente] que está presente no corpo belo, mas resulta da agregação de tudo o que se une a ele, como a grandeza, a figura, a cor, e da agregação de todas as relações que estas propriedades mantêm com o corpo e entre si”
(Cit. de Bruyne 1946, III, p. 347)

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

É tudo tão errado!!!

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Da Felicidade e algo mais...

O que procuro eu?
Não sei bem.
Às vezes, penso que a Felicidade.
Outras, ocorre-me que talvez não esteja à procura de nada.
Mas apenas em fuga.
Numa incessante fuga
Que me engole
E que absorve toda a Luz.
Não sei - se for essa a verdade,
Do que fujo eu.
Ou de quem.
(...de mim?)
Mas reparo tantas vezes que,
Ao menos nós as duas, temos
O mesmo processo de fuga.
Com caminhos diferentes mas
Iguais no ponto de partida.
Serás (és?) talvez mais Feliz
Do que eu, efectivamente sou.
Não sei se por teres aceite que
Estás a fugir
Ou simplesmente por não procurares
(Nem esperares)
Mais nada.
Essa tua capacidade, exaspera-me.
Porque eu, desejo mais!
Parar de fugir.
Parar de procurar.
Poder apenas ser.
(E ser, quem sabe, Feliz!)

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Do Amor e outras coisas mais...

O Amor nunca é recíproco!
É uma viagem feita de forma diferente, em ambos os sentidos.
Nunca amamos em igual medida.
Nunca nos amam na mesma medida do nosso amor.
Se é mau que assim seja?
Nem mau nem bom.
É assim, simplesmente.
Mas nunca o Amor é dado e recebido em igual medida.
E temos que, permanentemente, fazer um esforço para não esquecer.
Não esquecer que os outros são apenas o que são.
Só.
E serão sempre, apenas e só, isso mesmo.
E o esforço a fazer, todos os dias, é em respeitar essa individualidade.
Mesmo quando colide com o que nós próprios somos.
Mas como conciliar em nós essa diferença?
Não sei.
Talvez nem sempre seja conciliável.
Nem sempre o é, estou certa.
E, no entanto, posso sempre falar de Amor?
Posso sim!
Mesmo quando esse Amor não tenha um bilhete de ida e volta!
Amamos porque sim.
Não amamos porque alguém nos ama!
Mas é sempre saboroso amarmos alguém que nos ama também!
(O Amor nunca é recíproco, não te esqueças...)

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Sabes que a vida é muito mais do que...
Mas é preciso querer.
Ter vontade de respirar!
E acordar e sorrir!
Eu sei que a vida é muito mais do que...
E tenho vontade de respirar...

terça-feira, dezembro 30, 2008

"Amanheci a ver o mar
E fiquei imóvel a contemplar
Os raios de sol a rasgarem a escuridão"

terça-feira, dezembro 02, 2008

Doi-me a alma. De novo...
Abri os olhos no escuro e pareceu-me ver-te.
Estendi-te a mão. Mas não te consegui agarrar-te...
E andei, tacteando, pelo escuro. Nas sombras que se erguiam como castelos. Inacessíveis.
No fim...No romper do sol, vi.
Vi que não estavas. Nunca estiveste.
Fui apenas eu que sonhando, te vi.
E por isso me doi a alma.
Porque os caminhos da alma estão gastos.
Porque me sinto cansada.
De te não ver. De me perder.
Porque a vida, essa, não me satisfaz. Uma vez mais.
E por isso me doi a alma. Toda.
Ou apenas o que restou dela.
E às vezes dou comigo a pensar que um dia vai acabar.
Um dia, sem dar conta, gastei-a toda. À procura.
De que? De sentir.
Sentir. Algo mais do que esta dor.
Mas, há...há algo mais para além disto?

terça-feira, setembro 30, 2008



Náufraga
Sofri, como se diz, um acidente. A culpa foi da chuva, dizem-me. Mas não sei se acredito. A chuva pode dar vida. A mim, dizem-me, tirou-me um bocadinho de vida. Deixei-te dormindo. E estive numa paragem de autocarro, à espera. E chovia muito, muito. Tinha o corpo encharcado e frio. Muito frio. Tinha a alma gelada. As minhas lágrimas confundiam-se com as gotas de chuva. Torrenciais. Fiquei ali, à espera. Como quem espera um autocarro que nunca chega. Mas nunca vieste...E fui-me abandonando à dor. Deixei que me torturasse. Que me esventrasse a alma... Doeu tanto que pensei nunca superar. Nunca iria cicatrizar. Alguém me levantou do chão onde me deixei cair. E à chuva, me carregou nos braços para um lugar qualquer. Seguro. Aqueceu-me. Salvou-me de morrer. Mas não me deu a vida de novo. Continua aqui, à cabeceira, velando. Porque sabe que não estou curada. Tive de coser a minha alma de novo. Mas eram tantos os bocadinhos, tantos que não os soube juntar bem. Nunca fui boa a coser. Ficam sempre uns pontos mal dados. Uns pedaços mal remendados. E no fim, a peça não volta a ficar igual. E é assim, que me sinto. Remendada. Mas não igual. Mais pequena, talvez. Não cosi tudo. Pedaços houve que não tiveram conserto. Não os deitei fora. Guardei-os numa gaveta junto à minha cama. Estão lá. Quando morrer, levo-os comigo. Não vá pensarem que perdi um bocado da minha alma. Não senhor. Só que já não a visto. Inteira. Agora, aprendo a falar de novo. Mas não sei ainda andar. Tenho de aprender tudo. Ou o que conseguir. O que o tempo que me resta, me deixar. Porque o tempo manda. Muito mais do que os homens. É como um casaco que nos protege do frio, mas nos faz suar ao sol. Percebes? Estamos ali, enredados. Damos um passo e o caos, fecha-se logo atrás de nós. Não deixa uma brecha sequer. Nem um fiozinho de ar. Nem um espacinho, sequer. Não sei explicar melhor agora. Tenho febre. De tempos a tempos tenho febre. Antes não era assim. Mas antes, era diferente, também. Agora, fico muito cansada. Muito depressa. Custa-me respirar. Custa-me viver. Parece que me arrasto no tempo. Aqui deitada, as horas vão passando como se eu estivesse a enrolar novelos de lã. Mas o meu novelo, parece-me, não cresce. Vai diminuindo. E eu rendo-me ao cansaço... Acho que é por causa deste cansaço que não faz sentido o que digo. Dizem-me. E eu percebo que não me dão muito crédito, já. Mas, eu acho que é da febre. Acho que me vai consumindo... Me vai cansando...

quarta-feira, setembro 24, 2008

Esqueceste-me…
Vejo-o no silêncio que me envolve.
Esqueceste-te…
E eu subo as ruas que já conheço.
Aquelas que um dia já percorri.
De pedras gastas e rompidas.
Molhadas.
Desespero….Há dias em que me custa respirar. Viver. Em que é insuportável olhar-me, sentir-me. Em que todas as coisas que me rodeiam e me compõem me parecem demasiado mesquinhas. Não foi assim que sonhei viver. Não é assim que quero viver. Mas é assim que vivo. É nesta realidade que me encontro, para onde a vida me trouxe. Foi para este canto que desembocaram todos os caminhos que percorri. As vezes penso se pudesse voltar no tempo…Não, não gostaria de viver tudo de novo. Gostava, antes, de ter sabido ser mais serena nas minhas escolhas, mais consciente dos riscos, mais corajosa em dizer não. E agora, de nada vale pensar que poderia ter sido tudo diferente. Porque não foi. Nem o será. Nunca mais. E para quem, como eu, sempre achou que podia fazer tudo na vida, entender esta irreversibilidade, aceitar o definitivo, é como tentar respirar o ar todo de uma vez…Sufoca-se…

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Ilusões carnais

Encontro-me com o meu ser. Desacordada nesta cama. Foste mais do que memória nos corpos de outros. Não eras tu. Não era ninguém. Ninguém que me ficasse na memória. Só tu. Quem eu procurei noutros sorrisos, noutros seres. Fiquei, sorri. Entreguei-me aos prazeres da carne. Fingi que te tinha. Mas não tinha. Não eras tu. Nem sequer uma imitação de ti. Mas fechei os olhos e vi-te. Talvez até te tenha sentido. Em muitas alturas, estiveste comigo. Até ao despertar. Até voltar a olhar o escuro. Este escuro em que a minha alma se tornou. É quando esta luz sombria me envolve, que a solidão me dói mais. Porque percebo que me enganei de novo. Que me afundei mais ainda nesta escuridão. Não eras tu. Nunca mais serás tu, aqui ao meu lado, no meu corpo. Apenas permaneces em mim, em memória que teima em não desaparecer. E eu, que te tenho aqui, percebo que a cada imitação tua que encontro me sinto mais só, mais longe de te ter. A ilusão dos corpos. O pesadelo logo a seguir. Agora, apenas quero deixar-me dormir. Deixar o meu corpo repousar deste sexo fingido que não me cala a dor. Deixar-me dormir e quem sabe, sonhar contigo. Uma vez mais.
(in "O corpo dos outros")

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Já toda a gente viu, comentou e linkou...
Eu ainda não o tinha feito...
Às vezes, as coisas do mundo sentem-se primeiro.
Só muito tempo depois se materializam.
Sonha-se...
Sonha-se!
http://www.youtube.com/watch?v=Tu9HPz__3ys

terça-feira, novembro 20, 2007

Sento-me muitas vezes neste rochedo, aqui onde o mar rebenta.
A espuma salgada fica apenas a um gesto.
Mas permaneço imóvel.
Sento-me aqui muitas vezes...
A rebentação furiosa do mar.
Este vento de norte que tudo molha,
Este ar salgado que se impregna na alma.
E eu aqui, imóvel...
É neste rochedo que lavo a minha alma,
Confesso as minhas dores.
Os meus amores...
É aqui que sereno o meu desalinho.
Acalmo o meu desencanto.
Assim foi há dez anos.
Assim é ainda hoje...
O tempo passa...Mas a memória não se desvanece.
Será possivel esquecer...um dia?
Poderá a memória petrificar-se e transformar-se num gigantesco rochedo que o tempo, a pouco e pouco, vai desfazendo?
Terei o coração a esboroar-se como argila seca?
Será? Será possível?
Entretanto, enquanto o tempo não passa, tenho-te aqui.
Presente.
Ausente.
Tenho-te na memória...
Vejo-te, revejo-te. E sinto-te...
Sinto-te!
E a minha mão voa, involuntária, para o teu rosto...
É nesse momento que me faltas...na ponta dos meus dedos...
E aconchego-me no meu silêncio.
Torna-se mais forte essa imagem de pó a esvair-se por entre os meus dedos...

sexta-feira, outubro 19, 2007

" Gosto de te pensar bem. Feliz. Ainda que o horizonte nos separe. Ainda que não te veja o olhar e desconheça os meandros do teu sentir. Terás saudades? Memórias do tempo em que o teu corpo e o meu..."
Penso, penso. Resisto ao impulso. Fecho os olhos e apago a memória. Às vezes, enrolada em mim, numa cama perdida do outro lado do mundo, lembro-me do teu cheiro. Doce perfume...Lembro-me...E enrolo-me ainda mais em mim, no esquecimento do meu corpo. Na ausência de ti. No escuro da noite.
Onde estás agora? Quantos risos, gestos, palavras distribuis? Onde paira a tua alma?
Enrolo-me no desconforto frio do meu vazio de ti...

quarta-feira, outubro 17, 2007

Eram nove da manhã quando por aí entrou, pedindo ajuda. Às primeiras recusas, começou a chorar. Dizia que um dia se mataria porque não aguentava mais. Ninguém lhe ligou. Uns viravam costas. Outros enxotaram--no. Houve até quem se oferecesse para lhe bater.
É alcoolico, disseram, não vale a pena! Isto é mesmo assim! Pede ajuda e depois embebeda-se!
Já ninguém acredita!
Dizem que os médicos já não o ajudam. Dizem até que já nem o deixam entrar no Centro de Saúde. Parece que a mulher trabalha lá. Parece que a vergonha é maior...
Mas ele não foi embora. Chorava. Pedia ajuda. Dizia que sozinho não era capaz de parar, mas que queria parar. Até pedia para que o internassem no Hospital Psiquiatrico dos Canaviais. Acho que de uma vez até resultou mas ele saiu com termo de responsabilidade e um dia teve uma recaída...Talvez entre tantas outras...
Para que bebe ele?? Ele até é bom homem e anda muito tempo sem beber. Mas depois mete-se na bebida e chateia toda a gente para o ajudar. Para quê se depois ele volta outra vez?!
Dizem...
Lá para o fim da manhã veio a GNR e levou-o.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Silêncio

Vivemos em mundos paralelos que raramente se intersectam.
Vives confortável a vida sem nunca a questionares.
Passaram-se já tantas vidas, tantos mundos e nunca chegaste a aprender a ouvir os meus silêncios.
Temo por aquilo que não sabes. E que um dia te afectará. Mas que antes me apagará da memória. Ou a ti.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Nesta janela de 4º andar que agora tenho, vejo quase a cidade toda. Nisso tinhas razão: voltei! Voltei para ti, cidade que me viu nascer!
Mas não voltei para ti, meu amor. Já é tarde para voltar. O tempo passou e tu já cá não estás. Soube-o assim que pousei os pés neste chão. Não precisei de perguntar. Ninguém teve de me contar. Sei que já cá não estás. Sei.
Soube assim que o ar se extinguiu. Num leve estremecimento. Soube porque as portas da terra se abriram. E as ouvi rugir. E tudo em mim tremeu. E o silêncio me devorou. E eu soube que tinhas partido. E que já não podias voltar mais.
Agora, aqui deste 4º andar por onde avisto a cidade, sei de cor os teus passos, aqueles que percorreste comigo. E sinto todos os que não vivi contigo. Sei que foste feliz sem mim. (E agora, és feliz? É-se feliz aí, onde estás?)
Respiro o perfume desta cidade, tão diferente de todas as outras. Mas tudo me sabe a ti. Todos os perfumes me levam a ti. Cheira-me a madeira, a árvore grande, segura e serena.
Voltei a minha cidade mas, meu amor, os meus passos são solitários. Porque as ruas não têm a mesma graça. E o rio perdeu aquela luz que sempre me inebriou.
Meu raio de sol…
Apetece-me sacudir o teu corpo morto!
Sonhei contigo
Todos os segundos que vivi
Repousada no meu leito
Embrenhada nas tarefas corriqueiras
Ouvindo as confissões dos outros
Sonhei contigo em permanência.
À boca, o sabor do beijo roubado.
Na pele arrepiada de desejo.
Doce perfume de corpo adormecido
Sonhei contigo nas horas felizes dos risos
No aconchego do teu abraço
Na ternura das tuas mãos.
Um dia sonhei contigo, de costas.
Quase cabisbaixo.
Memória ou premonição?
Rosto enrolado, caído e até envergonhado.
Às vezes passo pela parede onde te encontras
De soslaio, ainda te olho nas costas.
Porque não mais te voltaste para mim.
É inevitável não pensar, não sentir...
São saudades.
É a falta que me fazes...

quinta-feira, julho 26, 2007

GET A LITTLE CRAZY!!!

A vida passa devagar por estas paragens.
A planície alentejana, ardendo nos seus quarenta graus tem destas coisas....
A vida passa devagar, como devagar são todos os nossos gestos e movimentos.
Mas o tempo, esse corre! E pesa!
Parece até contradição, a vida passar devagar e o tempo a correr, vergando-nos os ombros à sua passagem.
Mas assim é. Inevitavelmente.
Descobrir-me lúcida no meio deste movimento/não-movimento alucinante, é uma alegria!
E...apesar de em vésperas de Nelly Furtado, apetece-me Seal e a nostalgia da sua voz, das suas musicas.
" We're never gonna survive, unless... we get a little crazy"
E é mesmo!
É realmente!
E nem me interessa desvendar o resto da letra.
Gosto assim mesmo, com o que apreendi na primeira vez e o que de seguida construi, imaginado e sentindo.
Hoje, quando ouço, a minha atenção prende-se apenas no ritmo e nesta frase. Porque aqui se concentra tudo. Desde o lema desvendado e imprescindível, até ao ritmo que deve encadear os passos...
Mas a Nelly canta amanhã e os meus dois irmãos vão lá estar. A trabalhar. E a gostar, espero eu.
E eu pensarei neles e em como gostaria de com eles estar!

Escuto

Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco

(Poema de Sophia Andresen)

Eu não diria melhor...

sexta-feira, julho 13, 2007

Não existo

Não existo para além do vazio que ocupo quando a solidão invade.
Não existo nos lugares, nos outros, nas existências físicas e quotidianas.
Tão pouco existo como matéria palpável, perene e até mesmo fungível.
Não existo para lá dos desenhos, das palavras desencontradas, dos relampejos sentimentais desconexos.

segunda-feira, julho 09, 2007

Deste-me uma flor!

Ofereceste-me uma flor.
E passei a manhã a saborear o seu perfume.
Sabe-me a doce…
Doce perfume de corpo adormecido.
Como se pudesse continuar a ter-te pela manhã
Como pela noite tive.
Sabe-me a sonho adormecido, ainda…
Ofereceste-me uma flor.
Apanhada num qualquer jardim.
Demoradamente escolhida.
E eu, sonhei contigo pela manhã fora.
Imaginando o teu sorriso
O toque suave da tua boca…
Ofereceste-me uma flor!

sexta-feira, julho 06, 2007

Afinal...

Acompanhas-me nestes percursos de dor. Silencioso. Mas por vezes sei-te demasiado distante. Porque não te sinto. Nesses momentos, percebo que não estás para sempre. Que nada é para sempre. Só esta dor. Não são palavras que me dizes. São sorrisos de olhos desencontrados. Desencantados. Nada é para sempre. E nesses momentos, sei que também o sabes. E que tardas em me contar. Porque amas ainda a lembrança do meu sorriso. Aquele que há muito não te ofereço. Não porque não te ame mais. Porque sabes que os meus sorrisos me são dolorosos. Tardas em me contar. Porque sabes que te direi que o amor não é como as outras coisas. O amor fica para sempre…
23 de Março de 2006
Tenho uma tontura dentro de mim. Como se fora uma vertigem. Que me embrulha o estômago.
Não sei quem és. Quem eras quando te conheci. Quem és agora? O que és?
Passamos um pelo outro sem nos vermos. Arde silenciosa uma raiva que se anuncia. Um olhar frio. Uma palavra seca. Como chegamos a este lugar ermo, vazio de tudo? Onde nos desencontramos do que sonhamos? Como foi que nos perdemos?.....
Questiono o que somos. Se somos ou já fomos.
Desconheço que me faz continuar. Como se estivesse presa por fios invisíveis. Com nós que não sei desatar. Ainda.
Não sei o que te faz continuar. Mas talvez seja erro meu. Talvez estejas onde é suposto estar. E serei eu quem está a mais. Estou onde não deveria…
Mas a minha teimosia em ficar é igual à tua insistência em negar o desejo que me vá…
E assim continuamos, fantoches de nós mesmos.
Foi assim que quiseste? Não foi assim que sonhei.

sexta-feira, junho 22, 2007

Dia 1

Hoje é o 1º dia!
De hoje até dia 6, devo deixar de fumar!
Vamos apostar como consigo?

quarta-feira, maio 30, 2007

Pedofilia

Quando se pensava que já se tinha visto tudo, eis que nos chega pela primeira pessoa o relato convicto de uma das maiores enormidades dos últimos tempos!
Tem dúvidas?? Então veja o que diz o magistrado sobre a redução da pena ao pedofilo!!http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=815241&div_id=291
São, no mínimo estranhas algumas das suas convicções e afirmações! Senão vejam: "O juiz reafirma que a diferença entre a violação de uma criança e um menor de 13 anos é inequívoca. «A realidade diferencia as situações. Uma criança de cinco, seis ou sete anos não tem erecção e esta teve. (...)"
Gostaram? Mas há mais!! Muito mais para estranhar: "Ao 24 Horas, o magistrado diz ainda que «um rapaz de 13 anos em plena puberade não tem por sete vezes erecções e ejaculações obtidas à força». O juíz não acredita que o rapaz não tivesse consciência dos seus actos. "
Resta-me saber como, como sabe este senhor magistrado tanto acerca de erecções provocadas à força em meninos de 13 anos ou menos!!
Mas concerteza que para o acordão ser inatacável, como ele próprio o diz, concerteza que esse senhor lá deve ter explicado - e justificado - em que se baseia para afirmar com tanta convicção isso mesmo!!
Pois por mim, repugna-me saber o que ele pensa. Repugnam-me as suas justificações. Repugna-me saber que tem poder para decidir a vida dos outros. E que a sua decisão é repugnante.
Eu sou a favor de que seja tornada pública - com fotografia - a lista de todos os pedofilos em Portugal!
Como mãe, como cidadã, entendo que tenho o direito de saber quem são, onde estão.
É minha função proteger o meu filho. E também é minha função proteger os filhos dos outros, se os seus pais forem ausentes nesse dever.
Por isso, ganhem coragem: publiquem a dita lista!

sexta-feira, maio 18, 2007

Mãos feridas na porta
dum silêncio


Vida que às costas me levas
porque não dás um corpo às tuas trevas?


Porque não dás um som àquela voz
que quer rasgar o teu silêncio em nós?


Porque não dás à pálpebra que pede
aquele olhar que em ti se perde?


Porque não dás vestidos à nudez
que só tu vês?


Natália Correia

quinta-feira, maio 17, 2007


Sinto um fio de água descendo lentamente pela minha face.
Não tenho memória de ter algum dia sentido esta dor.
Não recordo, por entre todas as tristezas, algo que me rasgasse assim.
Sinto que uma dor…vazia.
Como se uma mão me tivesse esgravatado o peito e de lá arrancado tudo…
E de repente, nada tenho senão um vazio profundo, feito de silêncio e de dor. E até de ausência de dor. Ausência de tudo. O que dói ainda mais…
E nas sombras das paredes me movimento, silenciosa. E no contraste da sombra com esta luz que tudo queima, também esta penumbra das paredes me dói. Como fogo. Deslizo em movimento mecânico. Porque o rumo se perdeu. Não sou mais quem construí. Imponderáveis, pedregulhos em que fui tropeçando, rasgões de sangue que nunca cicatrizaram.
Sou uma miragem de mim, perdida entra as sombras destas paredes que tacteio e a luz incandescente que tudo abrasa. Sou…apenas. Sobrevivo ao devir, às mãos que me despedaçam. Sobrevivo. Nem sempre coerente. Raramente lúcida. Mas nunca imaginei que existisse além da dor, além do sentir. Para além do imaginável. E o que existe? Vácuo. Escuridão. Fogo. Ar irrespirável. Mesmo que já não se queira respirar. Mesmo que já não se queira mais nada. E…já nada mais se quer…
Paro no fim desta sombra, na esquina desta rua. Olho. E numa réstia de memória recordo as asas de uma gaivota planando sob o céu azul profundo. E chega-me o perfume da água salgada. E a imagem daquele mar imenso. E apanho uma onda branca e atiro-me…não me interessa saber se as pedras desta calçada são escuras e gastas e me queimam a pele. Sabe-me a mar revolto, a espuma salgada. Deixarei que este ondular me leve de volta para onde nunca estive. Que venha o mar e me abrace neste sonho de reencontro que nunca saboreei. Até sempre…

quarta-feira, maio 16, 2007

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

(Eugénio de Andrade)

terça-feira, maio 15, 2007

"Every Time We Say Goodbye"

Ontem, foi segunda-feira. Um dia difícil.
Acordei já cansada. A noite que não me retirou o cansaço acumulado nas duas últimas semanas.
Talvez por isso...
Acordei já com a música a ouvir-se dentro de mim. A mesma música. E foi-se fazendo ouvir pelo dia fora. Até se tornar insurdecedora.
Hoje...deixo-a aqui. Para que me deixe e não mais me importune.
.
"Every Time We Say Goodbye"
.
Everytime we say goodbye
I die a little
Everytime we say goodbye
I wonder why a little
Why the gods above me
Who must be in the know
Think so little of me
They allow you to go
.
When you're near
There's such an air
Of spring about it
I can hear a lark somewhere
Begin to sing about it
There's no love song finer
But how strange the change
From major to minor
Everytime we say goodbye
.
There's no love song finer
But how strange the change
From major to minor
Everytime we say goodbye

segunda-feira, maio 14, 2007

Custa-me perceber porque se acomodam as pessoas...
Porque será que não lutam por aquilo que desejam?
Porque será que se confinam às condicionantes?
Quando se quer mesmo, não vale a pena tentar, mesmo que tudo esteja contra?
Eu acho que basta querer...para acontecer.

terça-feira, maio 08, 2007

O Cinema em Portel... e não só!

(Foto do ensaio de "Conversas de Camarim")

Pois sim! O V Festival de Cinema e 4º Concurso Nacional Escolar "O Castelo em Imagens" arrancou ontem, segunda-feira, dia7.
Claro que, antes desta inauguração - Magnífica! - muito trabalho foi feito mas sinto-me feliz pelo dia de ontem!
São quase 800 trabalhos (distribuídos por vídeo, fotografia e desenho) a concurso de alunos de Portugal Continental e Ilhas (Sim, porque os Açores estão muito bem representados!), além de outros países como Timor, Polónia, México, Alemanha e Suiça.
A inauguração deste evento teve o seu ponto alto com o espectáculo "Conversas de Camarim", com a Simone de Oliveira e o Vitor de Sousa, acompanhados ao piano por Ernesto Leite.
Um espectáculo magnífico! Intenso e intimista. Poemas, músicas, histórias de camarim, memórias de Torga, Ary dos Santos, Varela e tantos outros que a memória vai perdendo... Um espectáculo onde a saudade, a imensa saudade que nos constroi se fez sentir, nos fez rir e também emocionar.
Dois Artistas excelentes que a nós trouxeram outros tantos, excelentes como eles, numa escolha minuciosa de poemas e musicas.
De parabéns está a o senhor Presidente que nos proporcionou o espectáculo, o Lauro António, director do Festival que o sugeriu, Fátima Bernardo que o idealizou, Simone de Oliveira e Vitor de Sousa que nos fizeram vibrar com a vida, a memória das vidas, deles e de muitos tão importantes, tão caros, para que perdurem na nossa memória...para sempre!

sexta-feira, abril 27, 2007

V Festival de Cinema e 4º Concurso Nacional Escolar "O CASTELO EM IMAGENS"


Por razões obvias, até ao fim do Festival este é o post que permanecerá.
Embora a imagem pareça pequena, basta clicar em cima para ter leitura.
Cá os esperamos!!
E já agora, visitem também o blog do Festival:

segunda-feira, abril 16, 2007

Para aqueles que se esqueceram...

Por vezes, quem me lê, esquece-se...
Mas eu relembro! Aqui fica um texto de Julho de 2003, para que não se esqueçam!

A felicidade é uma coisa estranha... Das palavras que se escrevem fica sempre o sabor da tristeza, da saudade. Saudades de quê? De nada! Do que não se viveu, do que se sonhou! Encontrar rastos de verdade, de correspondência é tarefa impossível. Mas será que acreditam? Serão capazes de acreditar que o pensamento tem uma dimensão maior que eu? Que tem memórias de outras vidas, de outras dores e amores? Acreditará quem me ler, que a memória não me diz? Acreditará que esta saudade não é minha? De quem será, então? Não sei. Não são esses os porquês que busco. Não me interessa saber quem repousa na saudade doce da memória de uma vida que alguém viveu. Interessa-me o pensamento, a capacidade de sentir. De saber até onde se pode sentir, quanto se pode sentir. Serei eu capaz de ultrapassar os limites do imaginável e sentir para além da dor? Serei eu capaz de ultrapassar a vida e ter saudades para além da memória? Terei eu a memória de amar para além da realidade vivida? Estranho... Os espaços de liberdade do pensamento diminuem, comprimem-se quando se tentam por em palavras...

sexta-feira, abril 13, 2007

Há quem goste da solidão.
Eu não!
Basta-me a solidão interior.
Aquela que aglutina todos os sentidos.
E que faz o pensamento devorar tudo o resto...
Gosto de pessoas. Dos risos e das tristezas.
Das conversas. Dos silêncios preenchidos das presenças.
Gosto das pessoas!
Não gosto de solidão!

sexta-feira, março 30, 2007

Tempo

As palavras são-me caras. Gosto de as ouvir. De pensar nelas, no que dizem. E em tudo o que não dizem mas querem dizer.
Mas nos últimos tempos, ouço com demasiada frequência palavras que não dizem. Palavras que se refugiam no silêncio (ou será solidão?).
"..se tivesse sido antes..", "...antes teria sido diferente..."
São palavras que se refugiam no Tempo.
Quando o Tempo não tem tempo...
Antes do tempo nos agarrar, antes da vida acontecer, antes…
Mas antes, a vida não existia, antes o tempo não fazia sentido, antes não existíamos….E por isso as palavras ecoam, quase vazias…
Antes…antes do tempo…Como se antes pudesses existir o desejo de mudar o tempo.
Quero acreditar palavras, no antes e no agora.
Mas o antes tornou-se demasiado longínquo. E o agora demasiado solitário…
Afinal, ontem ou hoje, antes ou depois, será sempre igual.
O mesmo refúgio no Tempo... que o tempo não pode mudar.

segunda-feira, março 26, 2007

Despejei toda a minha raiva. Comi todos os pedacinhos de papel escritos por ti. Pedacinho a pedacinho. Numa raiva poderosa. Violenta. Comi-os como se te estivesse a mastigar, pisar, rasgar em pedaços desiguais.
No fim, fiquei mal disposta. De estômago embrulhado. E percebi que até assim és indigesto.
Mas não faz mal. Esta pedra no estômago em que te tornaste consegue ser melhor que a tua presença física.
A acidez das palavras que me dirigias corroía-me mais do que esta dor de estômago que agora carrego.
Paciência! Mais umas horas e nem rasto de ti em mim!

Mais um bocadinho...

(...) As palavras são como a música. Às vezes nem é preciso ouvir distintamente uma música para saber se gostamos. Tem um ritmo, uma melodia de fundo que sabemos distinguir. E sabemos logo que gostamos. São coisas. Gosta-se. (...) É só mais uma história de paixão. Entre duas pessoas. Não importa quem é quem. Importa que a paixão está lá, pelo menos momentaneamente. E a vontade de fazer loucuras. E viver o outro em todos os segundos dos dias. E a vontade de beber com sofreguidão, como se o tempo acabasse logo ali. E o desespero das horas em que não se está, em que o pensamento inventa mil e uma formas de recordar, relembrar e reviver sons e imagens, nem sempre reais. (...) Podiam ser duas mulheres. Mas também podiam ser quaisquer outras pessoas. Porque no fim da história, abandona-se a paixão, o desejo, o outro. Para que o nosso amor permaneça intacto, intocável, assim termina. Assim. Sem mais nada. Rasga-se uma teia de dependências. De convivências permitidas pela cumplicidade egoísta em ter. Termina-se e pronto. Como quem pergunta as horas a um estranho na rua. Obrigada. Nunca se diz até um dia destes. Porque a possibilidade de voltar a acontecer é quase impossível. O interesse é quase nulo. É assim. Assim se acabam histórias de paixão. E de amor também. O que fica depois disto, não interessa escrever. Será uma outra história. Já não vivida a dois. Mas de solidão.

Outro bocadinho...

(...) Nunca as conquistas foram conquistadas. Nunca o sexo foi tão bom como apregoamos. Não são mentiras. Não o chegam a ser. São apenas ilusões com que mascaramos sonhos não vividos e rejeições de amores não desejados.

Um bocadinho...

(...), de repente virei-me e enquanto te via, a vontade de correr para os teus braços foi-se desvanecendo e tu, passaste a ser mais um estranho que caminhava no mesmo passeio apertado que eu. Quando passamos um pelo outro já a memória do amor não se fazia sentir em mim e não te olhei. Nem disse adeus...

segunda-feira, março 12, 2007

Cheira a Primavera!

Já cheira a Primavera!
Alegrem-se corações!
As cegonhas já se instalaram e as andorinhas não tardam a chegar!
Sorriam!
O sol está a chegar para iluminar as nossas almas!
Humm...Já lhe sinto o cheiro no ar!
Aqui, dentro de casa ainda está escuro e frio. Mas o rádio debita músicas ritmadas.
O sol que já está lá fora faz-me querer dançar!
Haverá coisa melhor?
Sol, música, calor...
Hoje sinto-me bem!
Já me cheira a Primavera!

quinta-feira, março 08, 2007

Babel

A violência incomoda-me.
A injustiça incomoda-me profundamente.

Ontem fui ao cinema.
Já não ia ao cinema desde que o meu filho nasceu...Custa a acreditar!
Fui ver Babel. Tentarei na proxima semana ver Scoop. Voltar ao grande ecran. Às emoções em grande formato.
Gostei muito da banda sonora do filme.
Teria gostado de sair do cinema com a sensação de leveza. Mas essa não deve ter sido a ideia do realizador.
Não vou aqui fazer uma crítica cinéfila. Essa não sou eu.
Há muito que deixei de questionar porque gosto. Gosto, apenas!
E gostei dos avanços e recuos no tempo da história. Gostei dos silêncios. Gostei dos contrastes das paisagens. Gostei da imagem desfocada, quando a alma estava também ela desfocada. Gostei da dor, do sofrimento ansioso e aflito e da estupidez dos acasos.
Reparei que no fim, quase tudo fica bem. Reparei que aqueles que antes estavam bem na vida, ficam melhor. E os que já tinham pouco, passaram a ter menos. Bom retrato da vida, não?
Deixou-me o pensamento e o corpo em ebulição (eu funciono por inteiro!). Impediu-me de adormecer. (Devia ter-me perdido na noite...) Fez-me até esquecer que hoje, por ser dia da mulher, tenho o privilegio de não trabalhar de tarde!

quinta-feira, março 01, 2007

Há gestos que nos prendem à vida.
Tal como há gestos que se agarram à memória e nos arrastam por ela.
Gestos indizíveis, apenas porque seriam precisas muitas palavras para os dizer e talvez, nem assim se dissesse tudo.
São, pois, gestos ditos em silêncio.
Memorizados no silêncio.
Gestos que dizem tanto e em que fica, porém, tudo por dizer.
Questiono-me se falámos, naquele momento a mesma língua. Se nos silêncios quisemos dizer o mesmo. Ou se porventura, tivemos diálogos surdos e desencontrados.
Não sei dizer.
Sei que o teu abraço me disse muitas coisas. Muitas coisas sentidas, mais do que faladas. E que o silêncio me soube bem. Porque não me soube a solidão.

Encantos e desencantos

Nada mais me interessa…
Quero vê-lo crescer.
Quero poder ajudá-lo a ser feliz.
Nada mais interessa.
Não, de verdade.
Parou o tempo para mim.
Parei o tempo, como num erguer de um gesto.
Basta!
Tenho os pés magoados das pedras em que tropeço.
Caminhos estes por onde me arrasto
Todos iguais, de pedras lascadas.
Apetece-me parar
Mas não, quero vê-lo crescer!
Quero saber que sou mais
Mais do que uma memória.

Sou mais do que uma memória!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Triste, assim me sinto.
Não, não é de agora.
Mas cada dia que passa, intensifica.
Cada pensamento que flui, agrava.
Quando penso que nada mais pode acontecer, acontece.
Quando me parece que mais nenhuma desilusão se pode juntar, surge outra.
Viver tem sido um desafio à minha resistência.
E tenho resistido, mas...há marcas que nunca mais desaparecerão.
E vou continuar a resistir, acredito.
Mas queria mesmo era ver o meu filho crescer feliz.
De momento, nada mais me interessa.
Nada mais é importante.
Nem mesmo esta tristeza.
E a convicção de que não vai desaparecer tão cedo...